Notas

ABRACRIM-RO e IDPR têm interesse em debate público sobre PL Anticrime

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas do Estado de Rondônia (ABRACRIM-RO) manifesta-se solidária à nota pública do Instituto de Direito Processual de Rondônia (IDPR), a qual expressa a disposição e o interesse em debater publicamente, sem vínculo político, o Projeto de Lei Anticrime de Sérgio Moro, atual Ministro da Justiça e Segurança Pública. O objetivo da nota, também, é estabelecer parâmetros críticos a respeito de pontos sensíveis do projeto, unicamente com o objetivo de buscar o aprimoramento do Direito Processual Penal pátrio, sem que haja sob nenhum aspecto, qualquer viés de pensamento jurídico segmentado. A nota não tem como objetivo estabelecer um estudo aprofundado sobre as modificações legislativas propostas pelo Ministro da Justiça, mas sim, pontuar tópicos que pedem por uma análise mais sensível, de acordo o IDPR. A leitura do texto da proposta do Projeto de Lei Anticrime causou reações nos advogados e professores de Direito que têm na área penal o seu cotidiano. De acordo com Janus Pantoja, conselheiro nacional da ABRACRIM, foi organizado um grupo para o debate. “Imediatamente organizamos um grupo de discussão a fim de diagnosticar, de uma forma imediata, os problemas que emergem em primeiro plano, sem prejuízo na continuidade dos estudos. Assim, a intenção primordial é colaborar criticamente com a proposta e obter um texto conforme a Constituição Federal.” Segundo Stênio Castiel, membro da Comissão de Direitos Humanos da ABRACRIM, o projeto é o endurecimento de um pensamento criminal ultrapassado. “Esse projeto mostra que o embasamento teórico e crítico, produzido pela academia e pelos organismos que atuam efetivamente com o direito penal, continua afastado do interesse político brasileiro”. Já Ronny Ton Zanotelli, secretário-adjunto da ABRACRIM-RO, o Projeto de Lei Anticrime parece uma peça de propaganda. “Ele parece mais uma peça de propaganda com inconstitucionalidades flagrantes do que um projeto com medidas efetivas no combate ao crime. Senti falta de medidas sobre estruturação das polícias judiciárias, militares, a valorização e condições dignas de trabalhar para esses profissionais, por exemplo”, disse Ronny. Leia a nota do IDPR na íntegra:

INSTITUTO DE DIREITO PROCESSUAL DE RONDÔNIA – IDPR

O Instituto de Direito Processual de Rondônia - IDPR, com fulcro nos direitos e garantias fundamentais consagrados na Constituição da República de 1988 e nos seus princípios estatutários, vem se MANIFESTAR PUBLICAMENTE em razão da apresentação pública do Projeto de Lei Anticrime a ser proposto ao Congresso Nacional para inícios dos trâmites legislativos com o objetivo de elencar pontos da proposta apresentada que necessitam em nosso entendimento de maiores discussões jurídicas, sob pena de serem alteradas legislações de enorme alcance social sem a devida apreciação pelos organismos acadêmicos ou diretamente relacionados à temática em questão.

A presente nota não tem como objetivo estabelecer um estudo aprofundado a respeito de toda a vasta gama de modificações legislativas propostas, mas pontuar tópicos que clamam por uma análise mais sensível. O objetivo da presente nota é estabelecer parâmetros críticos a respeito de pontos sensíveis no projeto, unicamente com o objetivo de buscar o aprimoramento do Direito Processual Penal pátrio, sem que haja sob nenhum aspecto qualquer viés de pensamento jurídico segmentado nos posicionamentos do IDPR. Uma mudança de visão hermenêutica no combate ao crime pelo Projeto da Lei Anticrime. O pacote de medidas propostas pelo governo no combate a criminalidade propõe uma modificação da visão que hermeneuticamente se espera das atitudes dos Poderes na discussão da segurança pública, ao propor um pacote de medidas que se pautam em atitudes punitivistas e encarceradoras, em vez de uma visão garantista, restaurativa e pacificadora. É possível verificar isso tanto nas medidas de ordem material, quanto nas de ordem processual, que expressão uma sanha de promoção da justiça pela atividade prisional do Estado, deixando de lado uma construção constitucional de combate a criminalidade de forma a causar menores impactos sociais e gastos públicos. Era de se esperar medidas que impactassem diretamente nas ações de inteligência, de combate a impunidade, de valorização dos profissionais da área e de investimentos nestas áreas, em conexão direta da União com os Estados no combate ao crime, bem como da transferência para a representação da federação da competência dos crimes praticados por organizações criminosas, o que não veio. As medidas demonstram uma mudança na visão hermenêutica das questões de segurança pública, na promoção de ações que não respeitam a ordem jurídica e não promovem uma resposta adequada à Constituição ao caos em que se encontra a questão da segurança pública por todo o Estado brasileiro. Medidas Relativas à legítima defesa Uma das mudanças propostas pelo projeto de lei se dá no tocante a ampliação das hipóteses de exclusão da ilicitude por legítima defesa. A partir da leitura da proposta de modificação do art. 23 do Código Penal é possível verificar que acrescenta-se a possibilidade de redução da pena ou da não aplicação da pena pelo Magistrado em caso de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção.” Causa preocupação uma previsão de alcance tão amplo dado que a previsão de excesso doloso ou culposo já se encontra prevista na atual redação e a alteração que se propõe permite uma interpretação demasiadamente ampla. Por se tratar de alteração de norma penal justificante é necessário que se estabeleçam critérios bem definidos de condutas aceitas para tal redução ou exclusão da pena. No mesmo sentido o projeto amplia as hipóteses de legítima defesa para agentes policiais ou de segurança pública que em situação de conflito armado ou iminência de conflito previnam injusta agressão a direito seu ou de terceiros. Nos parece novamente que a expressão “risco iminente de conflito armado” carece de delimitação mais precisa, dado que a realidade fática na qual o direito penal se materializa pode ensejar diversas hipóteses em que a falsa percepção da realidade conduza o agente a agir sem que efetivamente existam riscos justificantes a direitos alheios. Medidas Relativas ao Plea Bargain O item XIII do projeto, que prevê medidas para introduzir soluções negociadas no Código de Processo Penal e na Lei de Improbidade, constitui um arremedo daquilo que no modelo jurídico Anglo Saxão se denomina plea bargain (pechincha, em tradução literal), onde mesmo nos países onde é aplicada, recebe fortes críticas diante de acordos de confissão de culpa (plead guilty) realizados por pessoas inocentes, que aqui, em nosso modelo jurídico brasileiro, de seletividade penal e desigualdade social alarmante, posicionamos como de grave preocupação o texto do projeto apresentado, sobre aplicação deste instituto, por representar um visível agigantamento da parte acusatória e de seu poder de barganha, acarretando um grande risco de inversão do direito de liberdade por um sistema prevalente de reconhecimento de culpa, visando como fim único uma tramitação mais célere da persecução penal, em prejuízo notório da presunção de inocência e do devido processo legal, realizados sob uma modesta supervisão jurisdicional prevista no instituto, ancorada esta em conceitos jurídicos abertos que tende a levar um grave esvaziamento do princípio da paridade de armas. Medidas para aumentar a efetividade do Tribunal do Júri Em se tratando de matéria Penal e ou Processual Penal, não se deve (pode) analisar, o que venha a ser “efetividade”, apenas sobre a ótica punitivista, ainda mais em se tratando de instituição tão democrática, qual seja o Tribunal do Júri, com previsão na Carta Magna. Evidente a preocupação do legislador constituinte, com as garantias individuais no texto maior, ao tratar de plenitude de defesa, garantindo assim, além das questões técnicas, todo e qualquer outro meio nosso exercício desse mister, diante do poderio estatal na pretensão punitiva, haja vista a supremacia dos bens jurídicos tutelados, a saber, a vida e a liberdade. Evidentemente que ao prever o inafastável direito ao recurso de apelo, tal previsão Constitucional e legal, é em seus dois efeitos básicos, não havendo, portanto que se cogitar Apelação sem efeito suspensivo, por total impossibilidade até conceitual/científica. É que, assim como a soberania dos veredictos, o direito à liberdade também tem previsão constitucional e, por isso, é possível o ajuizamento da revisão. Opta-se, assim, por corrigir um erro em benefício da liberdade da pessoa a se manter uma decisão injusta, em nome da soberania dos veredictos. Note-se que a previsão de tal ação impugnativa (revisão criminal) está em total consonância com as finalidades e os pilares de sustentação do Direito Penal e Processual penal, como mecanismo de equilíbrio entre o poder punitivo Estatal e as liberdades/garantias individuais construídas a duras penas ao longa da construção do Estado Democrático e de Direito. Banco Nacional de Perfil Genético A questão inerente à coleta de dados genéticos de acusados ou condenados por crimes dos mais diversos tipos suscita debates desde a promulgação por parte da Presidente Dilma Rousseff da Lei nº. 12.654 de 28 de maio de 2012, a qual passou a prever a coleta de perfil genético como forma de identificação criminal. No que concerne à Lei de Execuções Penais, foi alterado o art. 9º-A para permitir a coleta do material dos condenados mesmo sem trânsito em julgado, esclarecendo que o momento da coleta será quando do ingresso no sistema prisional ou durante o cumprimento da pena. A ampliação aos condenados ainda sem trânsito em julgado vai no rumo de outras alterações que querem dar efetividade às condenações mesmo antes do trânsito em julgado, porém esbarra no princípio constitucional da presunção de inocência, tão violentado ultimamente no direito brasileiro. Da mesma forma, tanto a Lei nº. 12.654/2012 quanto esta proposta deixam uma penumbra acerca dos reais objetivos da coleta. Não há espeque legal a se sustentar a submissão à coleta de material genético daquele que sequer condenado definitivo. Afora a falta de sustentáculo jurídico, tal coleta indiscriminada importa em um aumento desarrazoado de gastos públicos, vez que, se ao final a pessoa for absolvida, o material será excluído do banco. Passando à análise dos parágrafos do referido artigo 9º-A, chamamos a atenção para a alteração trazida no parágrafo 4º: “Constitui falta grave a recusa do condenado e submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético”. Aqui o texto sugerido viola frontalmente o direito constitucional da não autoincriminação[4] (nemo tenetur se detegere), e também o direito ao silêncio. O art. 5º, LXIII, da Constituição Federal dispõe que o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado. Veja, estamos defronte à literalidade da Constituição que está em vias de ser violada por Lei Ordinária, subvertendo por completo a hierarquia normativa. Ao não se observar o direito ao silêncio, há uma autoincriminação involuntária que acarreta inequívoca nulidade da prova então obtida. Ainda há clara violação à garantia constitucional do art. 5º, XLIX que assegura aos presos o respeito à integridade física e moral. Por mais que se entenda e concorde que a violência urbana é um fenômeno que merece toda a atenção do Poder Público resta inegável que as alterações concernentes ao Banco Nacional de Perfil Genético padecem de graves inconstitucionalidades. Cumprimento de pena e progressão de regime No âmbito da execução penal, notadamente quanto ao tema cumprimento de pena, pode-se destacar as seguintes alterações: 1) condenado reincidente ou o agente de conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, o regime inicial da pena será o fechado; 2) regime também será fechado para condenados por peculato, corrupção ativa e corrupção passiva; 3) condenados por roubo, quando houver violência, ameaça, lesão corporal grave ou morte, o regime inicial poderá ser o fechado 4) o juiz, analisando as circunstâncias do art.59 do Código Penal, poderá fixar período mínimo de cumprimento da pena no regime inicial fechado ou semi-aberto antes da possibilidade de progressão; 5) para crimes hediondos a progressão de regime somente poderá ocorrer após o cumprimento de 3/5 da pena quando o crime envolver morte da vítima. Desse elenco de proposições depreende-se que o intento maior foi ampliar hipóteses de fixação de regime fechado, ora endurecendo o regime de cumprimento de pena para alguns crimes específicos e hipóteses, ora prevendo uma cláusula aberta de ponderação para o magistrado. Se de um lado muitas dessas previsões violam o princípio da individualização da pena em sua construção doutrinária e jurisprudencial já assentada pelos Tribunais Superiores, de outro a inclusão do parágrafo único no art. 59, com a previsão de uma cláusula aberta para o juiz, ao seu alvedrio, definir tempo de progressão alcança um nível de subjetivismo que aparenta afrontar até mesmo o princípio da tipicidade penal. É com muita preocupação que o IDPR se manifesta absolutamente contra toda e qualquer ofensa às regras Constitucionais, denunciando o claro retrocesso democrático que se estabelece quando se afasta o pensamento crítico acadêmico da criação de propostas legislativas que podem diretamente a vida cotidiana dos cidadãos, bem como da aplicação do direito processual pátrio. Registra finalmente a disposição e o interesse de se colocar sempre como um instrumento aberto para o debate jurídico, sem vínculo com quaisquer pensamentos políticos específicos.
  1. Stênio Castiel Gualberto
  2. Gustavo Menacho
  3. Fábio Henrique Campos
  4. Anderson Charão
  5. Walter Gustavo Lemos
  6. Aisla Carvalho
  7. Ronny Ton Zanotelli
  8. José Alberto Oliveira
  9. Janus Pantoja
  10. Emanuel Nery
  11. Pedro Simões

TRAMITAÇÃO Com vários debates acontecendo em todas as esferas jurídicas, Moro, ontem (06), foi à Câmara dos Deputados para detalhar o projeto aos deputados federais da Frente Parlamentar de Segurança Pública. O governo federal deve apresentar o texto ao Congresso neste mês de fevereiro ainda. LEIA O PROJETO DE LEI ANTICRIME NA ÍNTEGRA: http://justica.gov.br/news/collective-nitf-content-1549457294.68

Nannah Ribas - ABRACRIM/AMACRIM

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Nota de Repúdio e pedido de providências da OAB em face de buscas contra advogados de agressor do presidente eleito

A advocacia criminal brasileira foi tomada por desagradável surpresa, em data de hoje, com a notícia de buscas e apreensões, seja onde for: pessoal, escritórios ou residências de advogados com finalidade flagrantemente ilegal de se descobrir quem teria mobilizado, contratado ou pedido para que o agressor do presidente eleito fosse defendido.
A preocupação da ABRACRIM (Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas) é com perigosos precedentes que podem se abrir contra as garantias da inviolabilidade dos escritórios de advocacia e seus conteúdos físicos ou telemáticos.
Independentemente do lamentável ocorrido (tentativa de homicídio) e sua necessária apuração, não se pode tentar flexibilizar garantias, sem as quais estará totalmente comprometida a amplitude de defesa, devido processo legal, que somente se corporificam com o respeito à Constituição Federal e EOAB (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil).
O exercício da defesa técnica é garantia da defesa dos direitos individuais de todo e qualquer cidadão. Não acarretando qualquer ilegalidade seu desempenho. Não será admitido qualquer ataque ao efetivo direito e consequente garantia da defesa dos direitos individuais. A advocacia livre é essencial à administração da Justiça, sendo liberdade de escolha da causa ou sigilo profissional inerentes a essa liberdade.
A ABRACRIM atuará e conclama para que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) atue de ofício e prontamente na defesa dos direitos e prerrogativas de toda a advocacia nacional.
Belém, 21 de dezembro de 2018.
Osvaldo Serrão
Presidente Nacional
Michelle Marie
Ouvidora Nacional
Deiber Magalhaes
Presidente ABRACRIM-MG
Thiago Minagé
Presidente ABRACRIM-RJ
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NOTA OFICIAL DA ABRACRIM – Sobre prisão antes do trânsito em julgado

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas tem posição absolutamente clara, firme e participativa no debate sobre o questionado tema.
Reiteramos a imperativa necessidade de respeito à Constituição, proclamando a inconstitucionalidade da prisão antes do trânsito em julgado.
Figuramos como Amicus Curiae nas ADCs 43 e 44, pautadas pelo Ministro Dias Toffoli para julgamento no mês de abril do próximo ano.
Belém, 19/12/2018.
Osvaldo Serrão
Presidente Nacional
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NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DO ADVOGADO DÁLIO ZIPPIN FILHO

A ABRACRIM-Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas e a APACRIMI-Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas, expressam seu profundo pesar pelo falecimento do advogado Dálio Zippin Filho. membro fundador das nossas entidades. Professor de direito e humanista, tendo durante toda a sua exemplar carreira contribuído para aprimoramento das instituições. 

Cidadão e advogado exemplar que deixa um incontável número de alunos e admiradores. Para a família enlutada nossa mais profunda solidariedade.

Curitiba, 17 de dezembro de 2018. Elias Mattar Assad  Presidente ABRACRIM Alexandre Salomão Presidente APACRIMI Luiz Flávio Borges D’Urso Presidente de Honra Osvaldo Serrão Presidente Interino
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​ABRACRIM – Nota em defesa da independência do Poder Judiciário na missão da guarda da Constituição Federal

A Constituição do Brasil, em seu artigo 2º, preceitua: “são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
Inadmissível que candidatos populistas e seus seguidores ocasionais, blasfemem contra nossas instituições republicanas. O Brasil está em estágio de usufruir de suas conquistas no plano institucional e não de destruição do direito posto. Inclusive, as eleições livres, que vivenciamos, decorrem delas. Democracia, não pode se transformar em “ditadura da maioria”, como pensam alguns inscientes. Sempre remanescerão direitos individuais fundamentais e valores a serem assegurados. Pois, se assim fosse: quem defenderá os direitos das minorias? A Constituição é o limite de toda e qualquer afronta ao Estado Democrático de Direito, logo, afrontá-la é atacar a própria Democracia.
Eleições gerais e descontinuidades administrativas são da essência da nossa Lei Maior. Tanto os vencedores de pleitos eleitorais, como os que não atingem seus objetivos nas urnas, devem se portar dentro dos princípios da legalidade e tolerância.
Qualquer apologia de desconstituir nosso Estado Democrático de Direito, com ofensas e ameaças ao Poder Judiciário e/ou integridade e liberdade de seus membros, é um atentado contra a nação brasileira. Principalmente quando tais atos perpetrados, partem de representantes do próprio Estado que se ataca.
De longa data, a ABRACRIM, em seus congressos científicos, vem alertando em suas manifestações formais, dos perigos das escaladas autoritárias visíveis em manifestações inconsequentes de Juízes, Membros do Ministério Público, integrantes do Legislativo, jornalistas e formadores de opinião. Atingimos o ponto culminante com recente manifesto de um deputado federal reeleito, acenando com métodos de possível invasão do Supremo Tribunal Federal e prisão de seus Ministros! Não é este o Brasil que a vocação coletiva aspira e nem o que se espera do nosso Exército Brasileiro.
Portanto, a Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas repudia, da forma mais veemente, qualquer campanha no sentido romper com a ordem democrática estabelecida. Parta de onde e de quem partir! A aberta afronta à ordem constitucional vigente acarretará no desmantelamento de todo nosso sistema democrático de direito. Não coadunaremos e, muito menos, nos acovardaremos diante das empreitadas ofensivas e quiçá criminosas. Deve ser dado um basta a quaisquer atos atentatórios ao Estado Democrático de Direito.
Ninguém está acima da lei. As instituições democráticas de direito e em especial as minorias, historicamente massacradas em estados totalitários, merecem e devem ser respeitadas em nome da paz e da harmônica convivência.
Curitiba, 22 de outubro de 2018.
Elias Mattar Assad
Presidente
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Nota de repúdio à violação das prerrogativas da advogada Valéria, no RJ

A Associação Brasileira dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro (ADV-RJ), repudia as graves violações contra as prerrogativas da Advogada Valéria Lúcia dos Santos, que de forma violenta, arbitrária e ilegal, foi algemada e presa, em pleno exercício regular da advocacia, durante audiência realizada no 3º Juizado Especial Cível da Comarca de Duque de Caxias no Estado do Rio de Janeiro, por determinação de uma juíza leiga inscrita na OAB-RJ. É direito do advogado o livre exercício profissional em todo território nacional (art. 5º, XIII, da Constituição Federal de 1988), sendo que o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei (art. 133, da Constituição Federal de 1988). Valéria Lúcia dos Santos foi impedida de exercer, com liberdade plena, os seus direitos e prerrogativas no regular exercício profissional (Lei 8.906/94), sendo-lhe negado o uso da palavra de registrar as ilegalidades e abusos em ata, pela juíza leiga que presidiu a audiência. O advogado, em seu ministério privado, exerce relevante função pública na defesa da sociedade, da cidadania, do meio ambiente, do consumidor, e dos direitos da pessoa humana, perante o Judiciário (art. 2º., §1º, 2º e 3º, da Lei 8.906/94), sendo inviolável por seus atos e manifestações, nos limites desta lei. É direito do advogado usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, devendo ser suas manifestações regularmente registradas em ata, bem como apreciadas pela autoridade judicial que conduz a audiência ou sessão (art. 7º., X, XI e XII, da lei 8.906/94). O uso de algemas só é legalmente admitido em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, o que em momento algum ocorreu com a advogada, o que violou a Súmula Vinculante nº 11, do Excelso STF, verbis: “Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”. Advogados não podem ser presos por motivo de exercício profissional, salvo em caso de crime inafiançável, em razão da imunidade profissional inserta no art. 7º., §3º., da Lei 8.906/94), o que também não se verificou com a advogada Valéria Lúcia dos Santos. Nenhuma prisão de advogado, no exercício da profissão, pode ser feita sem a presença de um representante da OAB (art. 7º., IV, da lei 8.906/94), o que foi violado no caso da advogada Valéria Lúcia dos Santos, que foi algemada sem a presença do delegado da OAB. A ADV-RJ ao repudiar todas estas arbitrariedades entende que a advocacia foi violada. Contudo, entendemos que são impróprios ao caso, os usos de certas rubricas de cunho eleitoral, como o racismo e o misoginia, pois a violação não se deu em razão de raça (PM’s negros participaram da prisão ilegal), de credo e ou de sexo (do outro lado havia uma juíza leiga mulher). Advogado não tem sexo, não tem cor e não tem religião. Por outro lado, a violação partiu de uma inscrita na OAB-RJ, que exercia a função pública de juíza leiga e não de um magistrado, sendo inadmissível qualquer ataque ao tribunal (ETJRJ) e a magistratura, devendo os “advogados, magistrados e membros do Ministério Público, tratar-se com consideração e respeito recíprocos” (art. 6º, caput, da Lei 8.906/94). Por que apenas a juíza leiga foi representada na OAB-RJ, se vários advogados e advogadas presentes nada fizeram em favor da colega advogada? Pelo contrário. O vídeo e o áudio são bem claros. Advogados e advogadas presentes falaram graves barbaridades contra a colega algemada no chão, quando o dever ético e legal (Lei 8.906/94) era defender os nossos direitos e prerrogativas legais. Serão identificados pela OAB-RJ? Serão igualmente representados de ofício pela OAB-RJ? A ADV-RJ manifesta não só solidariedade a colega advogada Valéria Lúcia dos Santos, colocando-se a disposição, mas se coloca ao serviço de todo colega advogado, independente de sexo, cor, raça e religião, em conformidade com nossos Estatutos, sendo nossos objetivos fundamentais, a defesa intransigente dos interesses, direitos e prerrogativas de todos os advogados, bem como da cidadania, dos direitos humanos e da ética, assim, contra todas as formas de opressão deste modelo político e econômico, que para alguns seguimentos políticos da advocacia permanece inatacável.

Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2018.

Marcos Cilos Advogado Presidente ADV-RJ, Associação Brasileira dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1105024849647945&id=821599311323835&__tn__=K-R

   
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